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terça-feira, 29 de julho de 2014

Jimi Hendrix

Jimi Hendrix

Jimi Hendrix


Jimi Hendrix explodiu nossa ideia do que o rock poderia ser: ele manipulou a guitarra, a alavanca, o estúdio e o palco. Em músicas como “Machine Gun” ou “Voodoo Child”, seus instrumentos são como uma vareta sensorial dos turbulentos anos 60 – dá para ouvir os tumultos nas ruas e as bombas de napalm explodindo em sua versão para “Star-Spangled Banner”.
Seu estilo de tocar era sem esforço. Não há um minuto de sua carreira gravada que deixe transparecer que ele está dando duro naquilo – parece que tudo flui através dele. A música mais bonita do cânone de Jimi Hendrix é “Little Wing”. É simplesmente essa coisa linda que, como guitarrista, você pode estudar a vida inteira e não tocar, nunca penetrar nela da forma como ele faz. Hendrix tece uniformemente acordes com trechos de uma só nota e usa sequências de acordes que não aparecem em nenhum livro de música. Seus riffs eram um demolidor funk pré-metal e seus solos eram uma viagem elétrica de LSD até as encruzilhadas, onde ele humilhava o diabo.
Há discussões sobre quem foi o primeiro guitarrista a usar feedback. Não tem importância, porque Hendrix o usou melhor do que ninguém: pegou o que se tornaria o funk dos anos 70 e o fez atravessar uma pilha de amplificadores Marshall, de uma forma que ninguém fez desde então.
É impossível pensar no que Jimi estaria fazendo agora; ele parecia ter uma personalidade bem volátil. Seria um político idoso do rock? Seria Sir Jimi Hendrix? Ou estaria fazendo uma temporada em Las Vegas? A boa notícia é que seu legado está garantido como o maior guitarrista de todos os tempos.

Keith Richards

Keith Richards

Keith Richards


Eu me lembro de estar no ensino médio ouvindo “Satisfaction” e pirando com o que aquilo fazia comigo. É uma combinação do riff e dos acordes que se movem por baixo dele. Keith escreveu temas de duas ou três notas que eram mais poderosos do que qualquer grande solo. Tocou a guitarra rítmica com vibrato e a solo em “Gimme Shelter”. Acho que ninguém criou uma ambientação tão sinistra. Há uma claridade entre essas duas guitarras que deixa um espaço agourento para Mick Jagger cantar. Ninguém usa afinações alternativas melhor do que Keith. Essa é a essência das guitarras nos Rolling Stones. Keith encontra a afinação que permite que o trabalho – as cordas inquietas, depois silenciosas – encontre o caminho do que ele está sentindo.
Fui ver Keith com o X-Pensive Winos. No camarim, ele começou a ensaiar um riff de Chuck Berry. Nunca o ouvi soar daquele jeito. Amo Chuck Berry, mas aquilo era melhor. Não tecnicamente – havia um conteúdo emocional que falava comigo. O que Chuck é para Keith, Keith é para mim.

Jeff Beck

Jeff Beck

Jeff Beck


Jeff Beck tem a combinação de técnica brilhante e personalidade. É como se dissesse: “Sou Jeff Beck. Estou bem aqui, e você não pode me ignorar”. Até no Yardbirds, ele tinha um timbre que era melódico, brilhante, urgente e ousado, mas doce ao mesmo tempo. Dava para perceber o quanto ele era sério e determinado.
Há uma arte real em tocar com e em torno de um vocalista, respondendo e o pressionando. Essa é a beleza dos dois discos que ele gravou com Rod Stewart, Truth, de 1968, e Beck-Ola, de 1969. Ampliou os limites do blues. “Beck’s Bolero”, emTruth, não é blueseira, mas mesmo assim é inspirada no blues. Uma das minhas faixas preferidas é a cover de “I Ain’t Superstitious”, de Howlin’ Wolf, em Truth. Há um senso de humor – aquele wah-wah grunhido. Não sei se Clapton toca com o mesmo senso de humor, mesmo sendo tão bom. Jeff definitivamente tem isso.
Quando passou pela fase do fusion, a cover de “ ’Cause We’ve Ended as Lovers”, do Stevie Wonder, em Blow by Blow, me conquistou. O timbre era tão puro e delicado. É como se houvesse um vocalista cantando, mas havia um guitarrista fazendo todas as notas. Eu o vi no ano passado em um cassino em São Diego, e a guitarra era a voz. Você não sentia falta do vocalista, porque a guitarra era muito lírica. Havia uma espiritualidade e uma confiança nele, um compromisso com ser ótimo. Depois de ver aquele show, fui para casa e comecei a praticar. Talvez tenha sido o que aprendi com ele: se você quer ser Jeff Beck, faça a lição de casa.

Duane Allman

Duane Allman

Duane Allman


Cresci tocando guitarra slide na igreja, e a ideia era imitar a voz humana: depois de a velhinha ou de o pastor pararem de cantar, tínhamos de continuar a melodia da música como eles haviam cantado. Nesses termos, Duane Allman levou isso para um nível totalmente diferente. Era muito mais preciso do que qualquer um que surgiu antes. Quando ouvi os discos da velha guarda do Allman Brothers pela primeira vez, foi estranho, porque o som era muito parecido com o que eu tinha crescido ouvindo.
Escute “Layla” – especialmente na parte após o refrão. Duane está deslizando por toda a melodia. Eu costumava colocar essa para “repetir” quando ia dormir. Todos nós guitarristas sentamos e praticamos, mas essa é uma daquelas músicas nas quais você quer deixar a guitarra de lado e simplesmente ouvir.
Eric Clapton me disse que sabia que trabalhar com Duane levaria a guitarra para um lugar totalmente novo; eles tinham uma visão e chegaram lá. Clapton contou que ficou nervoso com dois caras tocando guitarra, mas
Duane era a pessoa mais legal – dizia: “Vamos simplesmente tocar!” Duane morreu jovem, e dá para dizer que ele ficaria 50 vezes melhor. Ainda escuto suas músicas no iPod.

Pete Townshend

Pete Townshend

Pete Townshend


Pete Townshend não toca muitos solos, e talvez seja por isso que muita gente não perceba o quão bom ele é. Mas é um músico visionário que realmente incendiou tudo. Seu estilo de tocar guitarra é empolgante e agressivo – um músico selvagem. Tem um jeito físico maravilhoso e fluido com a guitarra que não se vê frequentemente, e sua maneira de tocar é um bom reflexo de quem ele é – um homem muito intenso. É o precursor do punk, o primeiro a destruir uma guitarra no palco – uma declaração impressionante naquela época – mas também um cara bastante articulado, letrado. Em “Substitute”, dá para ouvir a influência da abordagem modal de Miles Davis na maneira como seus acordes se movem em torno da corda ré aberta. Usou feedback no começo, o que acho que foi influenciado pela música europeia de vanguarda como Stockhausen – uma coisa de escola de arte. Os grandes acordes abertos que usou no The Who eram tão inteligentes musicalmente quando se considera a intensidade da bateria e do baixo naquela banda – poderia ter ficado caótico se não fosse por ele. Pete mais ou menos inventou o power chord, e dá para ouvir uma coisa meio pré-Zeppelin no trabalho do The Who dos anos 60. Muitas dessas coisas vieram dele.

Stevie Ray Vaughan

Stevie Ray Vagahan

Stevie Ray Vaughan


No início dos anos 80, a MTV estava surgindo e a guitarra do blues estava a quilómetros de distância das músicas quefaziam sucesso na parada. Só que o texano Stevie Ray Vaughan exigia sua atenção. Tinha absorvido os estilos de praticamente todos os grandes guitarristas de blues – além de Jimi Hendrix e muito do jazz e rockabilly – e seu timbre fenomenal, sua virtuosidade casual e sua noção impecável de suingue podiam fazer um blues como “Pride and Joy” bater tão forte quanto qualquer faixa metaleira.
Apesar de sua morte em um acidente de helicóptero em 1990, ele ainda inspira diversas gerações de guitarristas, de Mike McCready, do Pearl Jam, a John Mayer e o astro em ascensão Gary Clark Jr. “Stevie foi um dos motivos para eu querer uma Stratocaster – seu timbre, que nunca consegui imitar, era tão grande, ousado e brilhante ao mesmo tempo”, afirma Clark.

Albert King

Albert King

Albert King


Quando Jon Landau, da Rolling Stone EUA, perguntou a Albert King em 1968 sobre suas influências na guitarra, King respondeu: “Ninguém. Tudo o que faço é errado”. Pioneiro do blues elétrico, o canhoto King tocava uma Gibson Flying V de 1959 ao contrário, com as cordas graves voltadas anormalmente para o chão. Ele usava uma afinação secreta indecifrável, tocando as notas com o polegar. Com 1,93 m de altura e 136 kg, King conseguia fazer bends com mais potência do que qualquer outro guitarrista.
Eric Clapton tirou o solo de “Strange Brew” de King, e Duane Allman transformou a melodia de “As the Years Go Passing By” no riff principal de “Layla”. Jimi Hendrix ficou embasbacado quando seu herói abriu para ele no Fillmore em 1967. “Ensinei [a Hendrix] uma lição sobre o blues”, disse King. “Eu poderia ter tocado as músicas dele, mas ele não conseguiria tocar as minhas”.

David Gilmour

David Gilmour

David Gilmour


Como produtor e compositor, o guitarrista do Pink Floyd é atraído por texturas flutuantes e sonhadoras. Mas quando pega sua Stratocaster preta para tocar um solo, uma sensibilidade diferente toma conta. Ele era um solista incendiário, baseado no blues, mas em uma banda que praticamente nunca tocava esse estilo – seus solos extensos, elegantes e melódicos eram uma chamada para despertar tão intensa quanto aqueles alarmes barulhentos em The Dark Side of the Moon. Só que Gilmour também era adepto de improvisações vanguardistas; ao mesmo tempo, podia ser um guitarrista rítmico com um funk inesperado, do riff elegante de “Have a Cigar” aos floreios ao estilo do grupo Chic de “Another Brick in the Wall Part 2”. Seu uso pioneiro do eco eoutros efeitos –inspirado pelo guitarrista original do Floyd, Syd Barrett – culminou com seu preciso uso do delay em “Run Like Hell”, que antecipou o som característico de The Edge.

Freddy King

Freddy King

Freddy King


Em uma entrevista de 1985, Eric Clapton citou o lado B “I Love the Woman”, de Freddy King, de 1961, como “a primeira vez que ouvi aquele estilo de solo de guitarra, com as notas puxadas... [ela] me levou para meu próprio caminho”. Clapton dividiu seu amor por King com os heróis britânicos da guitarra Peter Green, Jeff Beck e Mick Taylor, todos profundamente influenciados pelo tom agudo afiado de King e pelos ganchos melódicos ásperos em “The Stumble” e “I’m Tore Down”. 
Apelidado de “Canhão do Texas” por sua postura imponente e shows incendiários, King tinha um ataque peculiar.“Aço sobre aço produz um som inesquecível”, diz Derek Trucks, referindo-se ao fato de King utilizar palhetas de metal. Trucks ainda consegue ouvir o enorme impacto de King sobre Clapton. “Quando toquei com Eric”, contou recentemente, “houve momentos nos quais ele fazia solos e eu sentia aquela mesma vibração do Freddy.”

Derek Trucks

Derek Trucks

Derek Trucks


Literalmente criado na família do Allman Brothers, Derek Trucks – sobrinho de Butch Trucks, baterista do Allman – começou a tocar guitarra slide aos 9 anos, e já fazia turnês aos 12. A precocidade de Trucks era carregada de uma febre de explorador. Quando assumiu o posto de guitarra slide do falecido Duane Allman na Allman Brothers Band, em 1999, aos 20 anos, os solos de Derek explodiram em direções emocionantes, conseguindo incorporar o blues do Delta, o jazz hard-bop, o êxtase vocal do gospel negro sulista e o tom modal de ritmos indianos. 
Além de fazer shows com o Allman Brothers, Trucks agora colidera a Tedeschi Trucks Band, uma potência de 11 membros na tradição de Delaney & Bonnie, junto com a esposa, a cantora e guitarrista Susan Tedeschi. “Ele é um poço sem fundo”, disse Eric Clapton, que levou Trucks em turnê como coadjuvante em 2006 e 2007. “O som dele é muito profundo.”

Neil Young

Neil Young

Neil Young


Se um dia eu der uma aula a jovens guitarristas, a primeira coisa que tocaria para eles é o primeiro minuto do solo de “Down by the River”, de Neil Young. É apenas uma nota, mas é tão melódica, e está cheia de atitude e raiva. É como se ele quisesse desesperadamente se conectar. O estilo de Neil é como um tubo aberto de seu coração direto para o público.
Nos anos 90, tocamos em um festival com o Crazy Horse. No final de “Like a Hurricane”, Neil entrou neste solo de feedback que era mais como uma pintura impressionista sônica. Ele estava a cerca de 1,8 m de distância do micro- fone, cantando para que você só pudesse ouvi-lo sobre as ondas coloridas do som do furacão.
Penso muito nesse momento quando estou tocando. Conceitos tradicionais de ritmo e tons são ótimos, mas a música é como um oceano gigante. É um lugar grande e furioso e há muitos rincões ainda não explorados. Neil ainda está abrindo caminho para pessoas mais jovens do que ele, lembrando que é possível inovar artisticamente.

Les Paul

Les Paul

Les Paul


Para muitos, Les Paul é mais conhecido como o gênio que inventou a guitarra de corpo sólido que leva seu nome.
Mas ele era igualmente criativo e inovador como músico. Uma longa sequência de sucessos nos anos 40 e 50 (sozinho e com a esposa, a cantora e guitarrista Mary Ford) estabeleceu seu estilo característico e influente: improvisações elegantes, limpas e rápidas sobre músicas pop do momento. 
Paul criou uma série constante de inovações técnicas, incluindo sobreposições de sons em estúdio em várias camadas e reprodução de fita em diferentes velocidades para atingir sons que ninguém havia criado – ouça o solo que parece um enxame de insetos em sua gravação de “Lover”, de 1948. Pouco antes de sua morte em 2009, aos 94 anos, ele ainda fazia shows semanais em um clube de jazz em Nova York, recheados de metaleiros na plateia.

James Burton

James Burton

James Burton


O estilo característico de James Burton – brilhante, claro e conciso – veio da música country e foi uma influência enorme sobre a guitarra do rock. Burton começou aos 14 anos, compondo “Susie Q”, para Dale Hawkins, e se tornou um astro adolescente quando entrou para a banda de Ricky Nelson em1957. 
Com Nelson, Burton criou sua técnica única: usava os dedos junto com a palheta e substituiu as quarto cordas mais agudas de sua Telecaster por cordas de banjo, para que sua guitarra estalasse, estou- rasse e gaguejasse. “ Nunca comprava um disco de Ricky Nelson”, afirmou Keith Richards.“Comprava um discode James Burton.” 
No final dos anos 60 e nos 70, ele fez parte da banda TCB de Elvis Presley e se tornou presença obrigatória em álbuns de Joni Mitchell e Gram Parsons, voltados para o country. Joe Walsh resume:“Burton era um cara misterioso: ‘Quem é ele e por que está em todas essas músicas de que gosto?’”

Chet Atkins

Chet Atkins

Chet Atkins


Como executivo de gravadora e produtor nos anos 60, Chet Atkins inventou o “som de Nashville” que resgatou a música country de uma má fase comercial. Como guitarrista, foi ainda mais criativo, dominando country, jazz e estilos clássicos e aperfeiçoando a capacidade de tocar acordes e melodia simultaneamente, graças a seu estilo característico de tocar com o polegar e três dedos. “Muito disso foi tentativa e erro”, ele contou à Rolling Stone em 1976. “Eu tinha uma guitarra nas mãos 16 horas por dia e experimentava o tempo todo.” Atkins podia ser tranquilo e contido (basta ouvir “Your Cheatin’ Heart”, de Hank Williams, “Heartbreak Hotel”, de Elvis Presley, e vários dos primeiros sucessos dos Everly Brothers), mas seus próprios álbuns solo altamente instrumentais são um saco infinito de truques de guitarra, misturando harmônicos, arpejos e notas puras com um timbre brilhantemente límpido.

Frank Zappa

Frank Zappa

Frank Zappa


“Quando estava aprendendo a tocar guitarra, era obcecado por esse disco”, disse Trey Anastasio, do Phish, em 2005, sobre a coleção de solos intrincados presentes em Shut Up ’n Play Yer Guitar, de Frank Zappa, de 1981. “Cada limite possível na guitarra foi explorado por ele de forma pioneira”, diz. 
Como o líder de suas bandas, incluindo formações lendárias do Mothers of Invention, Zappa fundiu doo-wop, blues urbano, jazz de big bands e modernismo orquestral. 
Como guitarrista, bebia de todas essas fontes e improvisava com um deleite furioso e genuíno. Seus solos em “Willie the Pimp”, em Hot Rats, de 1969, são uma festa de estúdio com muita distorção, wah-wah e percursos de blues. Nos shows, Zappa “zanzava, fazendo suas coisas, conduzindo”, lembrou Anastasio, mas, quando pegava a guitarra para um solo, “estava em comunhão completa com seu instrumento... aquilo se tornava música da alma”.

Buddy Guy

Buddy Guy

Buddy Guy


Buddy Guy se acostumou a pessoas chamando seu estilo de guitarra de um monte de barulhos – de sua família, na rural Louisiana, a Phil e Leonard Chess, donos da Chess Records, que, diz ele, “não deixavam que eu me soltasse como queria” em sessões com Muddy Waters, Howlin’ Wolf e Little Walter. Mas, à medida que a nova geração de roqueiros descobria o blues, o estilo de Guy se tornava influência para titãs como Jimi Hendrix e Jimmy Page. Seu jeito extravagante – bends intensos, distorção proeminente, licks frenéticos – em clássicos como “Stone Crazy” e “First Time I Met the Blues” e suas colaborações com o falecido mestre da gaita Junior Wells, elevaram o padrão para a fúria de seis cordas. Sua performance ao vivo continua eletrizante. “Ele era para mim o que Elvis foi para os outros”, afirmou Eric Clapton na introdução de Guy no Hall da Fama do Rock and Roll em 2005.

Angus Young

Angus Young

Angus Young


“Não me considero um solista”, disse o guitarrista do AC/DC sobre seu estilo maníaco. “É como se fosse uma cor; eu a coloco ali para empolgar.” A abordagem que Angus Young e seu irmão guitarrista Malcolm desenvolveram nos primeiros anos do AC/DC – percursos pentatônicos de alta velocidade sobre power chords trovejantes – tornou-se uma tradição do hard rock e milhões de guitarristas no mundo todo têm seus licks em “Back in Black” e “Highway to Hell” gravados na memória. “Malcolm e Angus fizeram mais com três acordes do que qualquer outro ser humano”, disse Slash. O personagem de Angus Young no palco – uniformes escolares, trotando como um Chuck Berry em miniatura – é tão excêntrico quanto seu estilo. “Ele é como o Clark Kent!”, disse o vocalista do AC/DC Brian Johnson àRolling Stone em 2008. “Entra em uma cabine telefónica e sai como um moleque de 14 anos, pronto para o rock!”

Tony Iommi

Tony Iommi

Tony Iommi


Lembro a primeira vez em que ouvi Black Sabbath. Meu irmão mais velho comprou o álbumMasters of Reality de um moleque vizinho e nós o passávamos adiante como se fosse crack. Tocávamos com a luz apagada e uma vela acesa, quando meu pai entrou no quarto. Ele falou “que merda é essa?” e quebrou o disco bem na nossa frente. Só que a música já tinha me atingido como um raio. Eu realmente entro na iommisfera toda vez que pego a guitarra. Tony é um pioneiro do metal, mas há uma sofisticação verdadeira em seu estilo: não é tão rápido o tempo todo. Seu estilo tem uma vibração tão clássica, que me inspira muito.

Eu me machuquei em um show da reunião do Black Sabbath em 1999. Durante “Snowblind”, todos estávamos nos abraçando, então caímos e bati em uma cadeira e quebrei as costelas. Pensei: “Está doendo pra burro, mas não quero ir embora. Tenho que continuar vendo o Tony tocar!”

Brian May

Brian May

Brian May


Provavelmente o único guitarrista a ter um diploma em astrofísica, o músico do Queen é um aventureiro genial que sempre está buscando novos efeitos. Uma de suas metas iniciais foi “ser o primeiro a harmonizar três guitarras em uma única gravação” – como os gemidos orquestrados de seu solo em “Killer Queen”. Brian May colocou, em camadas, dezenas de partes de guitarra em faixas individuais, construindo muros palacianos de som. Até seu instrumento saiu de sua imaginação: sua guitarra personalizada, Red Special, também conhecida como Old Lady, é uma maravilha caseira, construída por May e seu pai no início dos anos 60 com componentes incluindo pedaços de lenha de lareira. Ela produziu de tudo, do solo agudo cheio de piruetas em “Bohemian Rhapsody” ao riff proto-metal de “Stone Cold Crazy”. “Consigo ouvir qualquer músico e imitar seu som”, disse Steve Vai, “mas não o Brian May.”

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Bo Diddley

Bo Diddley

Bo Diddley


“É a mãe dos riffs”, diz o guitarrista Johnny Marr, se referindo à “batida Bo Diddley”, introduzida pelo guitarrista de Chicago nascido Ellas Otha Bates, mais conhecido como Bo Diddley. Levadas por sua guitarra–tremolo, músicas como “Mona” e “Bo Diddley” liberaram uma versão poderosa de um groove da África Ocidental que foi passado por escravos; depois de Diddley, o riff seria sequestrado por todos, de Buddy Holly aos Rolling Stones. Roqueiros de garagem e punks também reagiram à sua simplicidade crua (o Clash o levou para a turnê em 1979; os Smiths construíram “How Soon Is Now?” em torno do riff). “Qualquer um que pegasse a guitarra poderia fazer isso”, diz Dan Auerbach, do Black Keys. “Se você conseguisse manter a batida, poderia tocar Bo Diddley”. Keith Richards filosofou: “O estilo dele sugeria que o tipo de música que amamos não veio do Mississippi. Vinha de outro lugar”.

Johnny Ramone

Johnny Ramone

Johnny Ramone



Pai da guitarra punk e uma enorme influência sobre o metal moderno orientado por riffs, Johnny Ramone é um dos grandes anti-heróis do instrumento. John Cummings fez seu nome com uma guitarra Mosrite barata, sobre a qual ele martelou power chords em alta velocidade em um estilo devastador e minimalista que se tornou apropriadamente conhecido como “serra circular”. Um motor de ritmo puro, Johnny quase nunca tocava solos, mas seu estilo tinha o impulso de um trem que vem chegando à estação em alta velocidade. Em uma era na qual “pesado” era sinônimo de “lento”, o suingue primitivo e metronômico de seus riffs em “Blitzkrieg Bop” e “Judy Is a Punk” e os grilhões do trampolim pop de “Rockaway Beach” mostraram que dava para acelerar as coisas sem perder um centímetro de potência – um tanto surpreendentemente, já que seu herói na guitarra era Jimmy Page.

Scotty Moore

Scotty Moore

Scotty Moore


Em 5 de julho de 1954, Elvis Presley, o guitarrista Scotty Moore e o baixista Bill Black brincavam com uma versão acelerada de “That’s All Right”, de Arthur Crudup, durante um intervalo em uma gravação na Sun Records, em Memphis. O som da guitarra se transmutaria: as passagens concisas e agressivas de Moore misturavam dedilhados de country e fraseados de blues em uma nova linguagem. O estilo era tão potente que até se esquece que não havia baterista. Se Moore só tivesse feito as 18 gravações da Sun – incluindo “Mystery Train” e “Good Rockin’ Tonight” –, seu lugar na história já estaria garantido, mas ele continuou tocando com Elvis, colaborando com mais solos incandescentes. Quando Elvis quis voltar para suas raízes no especial de TV em 1968, convocou Moore para o som que ajudou a mudar o papel da guitarra na música pop. “Todo mundo queria ser Elvis”, disse Keith Richards. “Eu queria ser Scotty.”

Elmore James

Elmore James

Elmore James


O cantor e guitarrista Elmore James, nascido no Mississippi, escreveu um lick imortal: o riff de slide em staccato em sua adaptação de “I Believe I’ll Dust My Broom”, de Robert Johnson, de 1951. “Mas foi um grande lick”, diz o guitarrista DerekTrucks. “Havia algo desembestado em seu estilo, aquele violão com captador elétrico.” James também acertou com variações empolgantes daquele lick em “Shake Your Moneymaker” e “Stranger Blues”, que se tornaram clássicos da explosão do blues após sua morte, em 1963. Seu timbre inspirou uma geração de guitarristas: “Treinei 12 horas por dia, todos os dias, até meus dedos sangrarem, tentando conseguir o mesmo som de James”, disse Robbie Robertson. “Então, alguém me contou que ele tocava com um slide.” Trucks ama o solo de James em uma versão de “Rollin’ and Tumblin’”, de 1960: “É, cada nota está no lugar certo – tem pegada funk e é suja”.

Ry Cooder

Ry Cooder

Ry Cooder


Uma vez Ry Cooder comparou seu estilo – uma sublime amálgama de folk norteamericano e blues, guitarra havaiana, uma pitada tex-mex e a sensualidade régia do som afro-cubano – a “uma máquina a vapor que saiu de controle”. A vida de Cooder com a guitarra é distinguida por uma mistura rara de fundamentos arcaicos e paixão exploratória. Ele surgiu como fenómeno adolescente do blues ao lado de Taj Mahal e Captain Beefheart em meados dos anos 60, elaborou trilhas sonoras para vários filmes e teve papel chave no nascimento e sucesso do Buena Vista Social Club, em 1996. Como coadjuvante, Cooder trouxe uma bravura real e nuance emocional a álbuns clássicos de Randy Newman, Rolling Stones e Eric Clapton. Também é um preservacionista cheio de alma, mantendo momentos cruciais do passado vivos e dinâmicos no mundo moderno.

Billy Gibbons

Billy Gibbs

Billy Gibbons


Billy Gibbons era um guitarrista a ser reconhecido muito antes de deixar aquela épica barba crescer. Em 1968, sua banda de garagem psicodélica, Moving Sidewalks, abriu no Texas para o Jimi Hendrix Experience. De acordo com as histórias locais, Hendrix ficou tão impressionado com a facilidade e a potência de Gibbons que deu ao jovem guitarrista uma Stratocaster cor-de-rosa de presente. Gibbons desde então descreve o que toca com seu trio de quatro décadas, ZZ Top, como “bater na prancha”. No entanto, do boogie muscular de “La Grange” e do shuffle descompassado e retorcido de “Jesus Left Chicago” aos sucessos dos anos 80 “Legs” e “Sharp Dressed Man”, o estilo de Gibbons na guitarra tem sido religiosamente fiel, em seu ataque trovejante e concisão melódica, a seus antecessores texanos (Freddy King, Albert Collins) e à carga elétrica do Delta de Muddy Waters.

Prince

Prince

Prince


Ele tocou possivelmente o melhor solo de guitarra em uma balada na história (“Purple Rain”), e seu solo em uma versão all star de “While My Guitar Gently Weeps” durante a introdução de George Harrison ao Hall da Fama do Rock and Roll, em 2004, fez queixos caírem. Mas Prince também pode trazer o funk sujo (“Kiss”) ou estraçalhar como o metaleiro mais intenso (“When Doves Cry”). Às vezes, seu estilo mais quente funciona como pano de fundo – veja “Gett Off” e “Dance On”. Prince é comparado a Hendrix, mas vê isso de forma diferente: “Se realmente escutassem minhas músicas, ouviriam uma influência mais de Santana do que de Jimi Hendrix”, ele afirmou àRolling Stone. “Hendrix tocava mais blues, Santana tocava mais bonito.” Para Miles Davis, que colaborou com ele no fim da vida, Prince era uma combinação de “James Brown, Jimi Hendrix, Marvin Gaye... e Charlie Chaplin. Como se pode errar com isso?”

Curtis Mayfield

Curtis Mayfield

Curtis Mayfield


O falecido Curtis Mayfield foi um dos melhores cantores, compositores e produtores do soul norte-americano. Também foi um guitarrista discretamente influente cujas melodias e detalhes gentilmente fluidos, em gravações como “Gypsy Woman”, do Impressions, deixaram um impacto profundo em Jimi Hendrix, especialmente em suas baladas psicodélicas. “Nos anos 60, todo guitarrista queria tocar como Curtis”, afirmou George Clinton. Mayfield reinventou seu estilo nos anos 70, construindo sua nova música em torno dos ritmos fugazes do funk e de solos escassos, gestuais e com wah-wah, como em sua trilha sonora para Superfly e em sucessos como “Move on Up”. Suas sequências de acordes líquidos eram difíceis para outros músicos imitarem, parcialmente porque Mayfield tocava em uma afinação em fá sustenido aberto, como explicou: “Sendo autodidata, nunca a mudei.”

John Lee Hooker

John Lee  Hooker

John Lee Hooker

“Não toco muita guitarra bonita”, disse uma vez John Lee Hooker. “O tipo de guitarra que quero tocar é bem malvada.” O estilo de Hooker não poderia ser definido como urbano ou country blues – era algo totalmente próprio, misterioso, cheio de funk e hipnótico. Em clássicos monumentais como “Boogie Chillen”, “Boom Boom” e “Crawlin’ King Snake”, ele aperfeiçoou um groove arrastado e monotônico, frequentemente em batidas de tempo idiossincráticas e preso em um único acorde, com uma potência atemporal. “Era retrô mesmo em sua própria época”, disse Keith Richards. “Até Muddy Waters era sofisticado perto dele.” Hooker foi uma figura crucial na explosão do blues dos anos 60; seu boogie se tornou a base para boa parte do som inicial do ZZ Top; suas músicas foram gravadas por todos, de Doors a Bruce Springsteen; e, mais tarde, bem depois dos 70 anos, ele ganhou quatro Grammys nos anos 90.

Randy Rhoads

Randy Rhoads

Randy Rhods

A carreira de Randy Rhoads foi curta demais – ele morreu em um acidente de avião em 1982, aos 25 anos – mas seus solos precisos, arquitetônicos e hiperacelerados em “Crazy Train” e “Mr. Crowley”, de Ozzy Osbourne, ajudaram a definir o modelo para solos de metal para os anos seguintes. “Eu treinava oito horas por dia por causa dele”, afirmou Tom Morello. Rhoads tinha cofundado o Quiet Riot na adolescência e entrou para a banda Blizzard of Ozz de Ozzy em 1979. Depois de alguns anos trabalhando como professor de guitarra, segundo a lenda, Rhoads continuou tendo aulas em cidades diferentes quando estava em turnê com Ozzy. Quando gravou seu último álbum, Diary of a Madman, Rhoads estava se aprofundando em música clássica e até explorando o jazz. Ele “estava cada vez mais dentro de si mesmo como guitarrista”, disse Nikki Sixx, do Mötley Crüe.

Mick Taylor

Mick Taylor

Mick Taylor



“Às vezes eu ficava impressionado ouvindo Mick Taylor”, escreveu Keith Richards em sua autobiografia. “Estava tudo lá no seu estilo – o toque melódico, um lindo sustain e uma maneira de ler a música.” Taylor tinha só 20 anos quando os Rolling Stones o recrutaram do John Mayall’s Bluesbreakers como substituto para Brian Jones, em 1969. Seu impacto, em obras-primas comoExile on Main St. e Sticky Fingers, foi imediato. O slide direto ao ponto e sujo em “Love in Vain”, a precisão incrível em “All Down the Line”, a coda estendida com inflexão do jazz latino em “Can’t You Hear Me Knocking” – não é por acaso que o período com Taylor coincidiu com as gravações mais consistentes dos Stones. “Ele era um músico muito fluente e melódico... e isso me deu algo para seguir, de repente”, disse Mick Jagger sobre Taylor, que saiu da banda em 1974. “Algumas pessoas acham que essa foi a melhor versão da banda.”

The Edge

The Edge

The Edge



Muito já havia sido dito sobre a guitarra quando The Edge a pegou. Seu segredo é que ele aprendeu sozinho a tocar – por isso ele é tão único. A mente dele é tão muito inovadora: cada álbum do U2 no qual me envolvi tinha um novo som vindo dele. Não há muito dedilhado em seu estilo; ele é basicamente um servo da melodia. Seu foco é na inter-relação entre sua guitarra e os vocais de Bono. The Edge é um cientista de dia e um poeta à noite: sempre tem um pequeno equipamento em casa. Leva uma batida de bateria de Larry Mullen e volta ao estúdio na manhã seguinte dizendo “Bono, tenho uma para você” – e apresenta “I Still Haven’t Found What I’m Looking For”, com um riff simples que norteia toda a direção da música. É dedicado a fazer anotações. Ele e seu técnico de guitarra, Dallas Schoo, documentam cada detalhe de seu som – que pedais, que captador usou –, qualquer coisa que ache que possa usar depois. Há uma quebra perto de dois terços de “Mysterious Ways”, antes de a música entrar em sinfonia que, para mim, está no mesmo nível das melhores partes de guitarra de James Brown ou, então, a uma das melhores linhas de sopro tocadas pelo Tower of Power. Não é realmente um riff – é um momento, que me leva às lágrimas sempre que o ouço.

Steve Cropper

Steve Cropper 

Steve Cropper



Peter Buck considera Steve Cropper “provavelmente meu guitarrista preferido de todos os tempos”. Cropper tem sido o ingrediente secreto de algumas das melhores músicas do rock e do soul: na adolescência, teve seu primeiro hit (“Last Night”) com o Mar-Keys; passou a maior parte dos anos 60 no Booker T. and the MGs, a banda residente da Stax Records que tocava para Carla Thomas, Otis Redding e Wilson Pickett. Seu estilo econômico e cheio de soul apareceu em gravações de dezenas de astros do rock e R&B, incluindo até os Blues Brothers. Pense na introdução para “Soul Man”, de Sam and Dave,nas notas explosivas em “Green Onions”, de Booker T., ou nos detalhes cheios de filigranas em “(Sittin’ on) The Dock of the Bay”, de Redding – todas têm o som característico de Cropper, a quintessência da guitarra soul. “Não me importa estar no centro do palco”, diz Cropper. “Sou um membro da banda, sempre fui.”


Tom Morello

Tom Morello

Tom Morello


Tom Morello reimaginou a guitarra do rock para o mundo pós-hip-hop nos anos 90 com o Rage Against the Machine. Usando intensamente seus pedais de efeito, criou um novo vocabulário sônico – scratchs de toca-disco replicados em “Bulls on Parade”, as explosões do funk em “Killing in the Name” e o ataque de bombardeio em “Fistful of Steel”. A mistura de recursos, solos pirotécnicos e acordes trovejantes de Morello tem partes iguais do Stooges e do Public Enemy: “O Bomb Squad foi uma influência enorme para mim como guitarrista”, disse Morello se referindo ao time de produção do hip-hop que adorava um barulho. Depois de se afastar da teatralidade na guitarra nos últimos cinco anos com seu codinome de folk esquerdista, The Nightwatchman, Morello aumentou o volume mais uma vez no álbum mais recente do Rage,World Wide Rebel Songs. 

Mick Ronson

Mick Ronson

Mick Ronson


Foi uma colaboração estimulante – o fraseamento conciso de Mick Ronson e a distorção perfurante que incendiou o confronto sexualmente confuso de David Bowie durante sua fase de rei do glam como Ziggy Stardust, no início dos anos 70. “Mick era o embrulho perfeito para o personagem Ziggy”, disse Bowie. “Éramos tão bons quanto Mick e Keith ou Axl e Slash... a personificação desse dualismo do rock and roll.” A parceria histórica na verdade é anterior a Ziggy Stardust, atingindo seu primeiro pico no furor metálico da gravação de “The Width of a Circle”, de Bowie, de 1970. O estilo de blues com sabor de Ronson também foi um componente vital em sessões para Lou Reed, John Mellencamp e Morrissey, e durante sua segunda grande parceria, no final dos anos 70 e começo dos 80, com o ex-vocalista do Mott the Hoople, Ian Hunter.

Mike Bloomfield

Mike Bloomfield

Mike Bloomfield


Ele não teve chance de expandir a missão de sua alma, mas os poucos álbuns nos quais tocou são o suficiente”, diz Carlos Santana, referindo-se à morte de Mike Bloomfield em 1981, por overdose aos 37 anos, e às gravações essenciais que deixou para trás. Bloomfield ajudou Bob Dylan a ficar “elétrico” com seu trabalho em Highway 61 Revisited (as espirais para o céu em “Like a Rolling Stone” são de Bloomfield) e nos dois álbuns com a Paul Butterfield Blues Band, incluindo o monstro do raga-blues East-West, de 1966. Nascido em Chicago, Bloomfield estudou as lendas locais como Muddy Waters e Howlin’ Wolf de perto quando era garoto, e juntou essas lições em um timbre agudo limpo e preciso, e solos que decolaram com o êxtase fluido do jazz modal. “Michael sempre soava como um salmão indo contra a corrente”, afirma Santana. “Ele vem de B.B. King, mas foi para outro lugar.”

Hubert Sumlin

Hubert Sumlin

Hubert Sumlin


“Amo Hubert Sumlin”, disse Jimmy Page. “Ele sempre tocou a coisa certa no momento certo.” Durante mais de duas décadas tocando com Howlin’ Wolf, Sumlin sempre pareceu ter uma conexão quase telepática com o lendário cantor de blues, aumentando os gritos ferozes de Wolf com linhas de guitarra angulares e cortantes e riffs perfeitamente colocados em músicas imortais como “Wang Dang Doodle”, “Back Door Man” e “Killing Floor”. Sumlin, até um pouco antes de sua morte aos 80 anos, no dia 4 de dezembro do ano passado, subia ao palco na valiosa companhia de seguidores como Rolling Stones, Elvis Costello, Eric Clapton e Allman Brothers. “Você tenta contar uma história. Se você a conta direito, então a vive”, Sumlin disse uma vez sobre seu influente estilo. “Pode ser um pouco mais rápido ou ter um pouco mais de classe, mas, no caso, é tudo uma questão de tocar o blues ou não.”

Mark Knopfler

Mark Knopfler

Mark Knopfler


O primeiro grande momento de herói da guitarra de Mark Knopfler – o solo gloriosamente melódico no sucesso do Dire Straits, “Sultans of Swing”, de 1978 – veio em um momento no qual o punk parecia tornar a ideia de um herói da guitarra obsoleta. Mesmo assim, Knopfler construiu uma reputação como um virtuose intensamente criativo (e também de um excelente compositor), mostrando um comando notável sobre diversos timbres e texturas – da distorção suja no sucesso “Money for Nothing” à precisão cortante em “Tunnel of Love”. Algo chave para o estilo característico de Knopfler: tocar sem palheta. “Tocar com os dedos”, disse, “tem algo a ver com imediatismo e alma”. A versatilidade de Knopfler o fez ser requisitado para projetos com artistas como Tina Turner, Eric Clapton e Bob Dylan, que chamou Knopf ler pela primeira vez para Slow Train Coming, de 1979.

Link Wray

Link Wray

Link Wray


Quando Link Wray lançou a empolgante e soturna “Rumble” em 1958, ela se tornou uma das poucas músicas instrumentais a ser proibida de tocar nas rádios – por medo de que pudesse incitar a violência de gangues. Ao perfurar o cone do alto-falante de seu amplificador com um lápis, Wray criou o som distorcido e superdirecionado que reverberaria através do metal, punk e grunge. Wray, que orgulhosamente alegava ancestralidade indígena da tribo Shawnee e perdeu um pulmão para a tuberculose, era o arquétipo do durão em roupas de couro, e os títulos de suas músicas – “Slinky”, “The Black Widow” – já transmitem a força e a ameaça de seu estilo. Dan Auerbach, do Black Keys, diz: “Eu escutava ‘Some Kinda Nut’ repetidamente. Soava como se ele estivesse estrangulando a guitarra”. Quando Link Wray morreu, em 2005, Bob Dylan e Bruce Springsteen tocaram “Rumble” no palco em homenagem.